SOCIEDADE ASTRONÔMICA BRASILEIRA

UMA ANÁLISE DAS POTENCIALIDADES DE UM LIVRO DE LITERATURA CIENTÍFICA PARA O ENSINO DE ASTRONOMIA (CO27)

Autores: 

Fernanda Marchi (Mestranda em Ensino de Ciências da Pós Graduação Interunidades da USP), Cristina Leite (Universidade de São Paulo/Instituto de Física)

Palavras-chave: 

literatura científica, ensino

Duas importantes teses relacionadas ao ensino da leitura nas escolas brasileiras são levantadas por Silva (1998). Uma refere-se à responsabilidade de todos os professores pela formação de leitores e o desenvolvimento da prática da leitura em suas disciplinas; outra diz que a “a imaginação criadora e a fantasia não são exclusividades das aulas de literatura.” (p. 122). Os temas da Astronomia podem fazer dessa uma atividade mais prazerosa no ensino de Ciências, tal que, através da leitura, um aluno possa compreender os conteúdos de Astronomia e esta possa contribui para o estímulo deste hábito. Selecionamos para análise a obra infanto-juvenil “George e o Segredo do Universo”, escrita por um dos mais populares divulgadores da ciência, Stephen Hawking, em parceria com sua filha, Lucy Hawking. Para a análise, baseamo-nos no trabalho de Ribeiro (2007), verificando características inerentes aos textos de divulgação como a contextualização e atualidade, a simplificação, a imagem da ciência e do cientista e o sensacionalismo.  Analisamos, também, as potencialidades do livro quando entram em cena os objetivos formativos que pretendem ser alcançados, sendo elas: o mundo da leitura e a leitura do mundo e a formação do espírito crítico. Verifica-se que a obra aborda temas como buracos negros e evolução estelar de forma que sua leitura pode promover a contextualização e atualização dos conteúdos curriculares. Os conceitos científicos são construídos através de diálogos entre os personagens, e, a fim de proporcionar a simplificação, os autores utilizam-se de analogias e comparações, explicando-os através de experiências menos abstratas ou mais próximas dos leitores.  Quanto à imagem da ciência e dos cientistas, a narrativa leva à construção de uma imagem estereotipada do cientista como de um sujeito esquecido, bagunçado e inteligente. Quanto ao sensacionalismo, a ciência é supervalorizada na história, mostrada como algo fantástico, captando a atenção e o interesse dos leitores. De acordo com os objetivos formativos que pretendem ser alcançados com o uso da obra, o professor pode ampliar o mundo da leitura dos alunos, levando-o à descoberta e redescoberta do mundo ao seu redor, ao alargamento de suas experiências, ao conhecimento de outros contextos além de seu mundo imediato (SILVA, 2005), e a uma nova forma de se perceber no “mundo”, ampliando seu mundo de leitura.  No entanto, conforme as características verificadas na obra, tais como a supervalorização da ciência, a imagem estereotipada dos cientistas e o sensacionalismo, mecanismos utilizados pelos autores na intenção de tornar a história e o livro mais atrativos, tornam o papel do professor essencial para a problematização das questões apontadas. Assim, contribui-se para a formação do espírito crítico do aluno, levando-o à reflexão sobre a atividade científica e a uma atitude de permanente inquietação intelectual. Trata-se, portanto, de uma obra com múltiplos potenciais para utilização em sala de aula, tanto para a abordagem dos conteúdos de Astronomia, quanto à problematização do fazer científico; para o estímulo à curiosidade, à imaginação e à fantasia, que, segundo Silva (1998), são finalidades atribuídas à leitura que podem ser bem contempladas por meio de temas da astronomia.

Arquivo do Trabalho: 

application/pdf iconSNEA2011_TCO27.pdf

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