O Brasil na ESO


A ESO (European Organisation for Astronomical Research in the Southern Hemisphere) é uma organização internacional fundada em 1962 com o objetivo de promover a pesquisa astronômica no hemisfério sul. Ela é constituida como uma organização intergovernamental regida por uma Convenção ratificada pelos parlamentos dos países-membros e é a mais importante organização internacional da área. O seu orçamento foi de 131 milhões de euros em 2010 (exceto receitas avulsas), conta com cerca de 800 empregados e tem sua sede em Garching (próximo a Munique), na Alemanha.

No dia 29 de dezembro de 2010 o Ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Machado Resende, e o Diretor Geral do ESO, Tim de Zeeuw, assinaram em Brasília o Termo de Adesão do Brasil à ESO, com o qual o Brasil se tornou o 15º estado-membro da organização, e o único não-europeu. O país passa assim a ser co-proprietário de todas as instalações dessa organização e a usufruir dos mesmos direitos científicos, tecnológicos e industriais que os outros 14 estados-membros. Podemos desde já pedir tempo nos telescópios da ESO e ter representantes em seus vários comitês de direção, por enquanto sem direito a voto, mesmo antes da ratificação do acordo de adesão pelo Congresso Nacional.

Empresas Brasileiras e ESO         Press Release

Brazil's Route to ESO Membership (artigo no ESO Messenger)

Documentos

Custos operacionais dos telescópios internacionais com participação brasileira

Relatório da primeira participação brasileira no Conselho da ESO (março/2011)

Pedidos de Tempo

Acordo de Adesão do Brasil à ESO (Resumo)


Principais observatórios operados pela ESO

La Silla

Foi o primeiro a ser construído, está localizado a 110 km de La Serena, Chile. Durante as décadas de 1980-90 foi o maior observatório do mundo com 17 telescópios em operação. Ainda hoje o observatório opera 6 telescópios que fornecem resultados de impacto devido à sua instrumentação de ponta.

Paranal

Abriga o VLT - Very Large Telescope, localizado a 130 km ao sul de Antofagasta, Chile. Os 4 telescópios do VLT em conjunto constituem-se no maior telescópio óptico do mundo atuamente em operação e é considerado a maior máquina produtora de conhecimento científico da astronomia terrestre no mundo.  O sítio tem também dois telescópios de grande campo para surveys no visível e infravermelho: o VST (2.5m) e o VISTA (4.1m)

Atacama Large Millimeter Array (ALMA)

É um conjunto de 66 antenas de 12 metros de diâmetro cada, localizado próximo de San Pedro de Atacama no Altiplano Andino chileno, a 5100 metros acima do nível do mar. Está atualmente em fase de construção e o início das operações será ainda em 2011. É o maior projeto de astronomia terrestre em construção no mundo.

European Extremely Large Telescope (E-ELT)

A astronomia óptica está prestes a dar um salto na área coletora de luz dos telescópios com a construção de equipamentos uma ordem de grandeza maiores que aqueles hoje existentes. O E-ELT terá espelho de 42m de diâmetro, o que lhe dará o dobro da capacidade de observação de astros fracos comparado com seu competidor mais próximo, o norte-americano Thirty Meter Telescope (Telescópio de 30m, a ser instalado no Havaí). Sua construção deve ser iniciada em 2011 e estar concluída em 2020. O prédio do telescópio terá cerca de 100 metros de diâmetro e 80 de altura. O orçamento total de sua construção é de cerca de um bilhão de euros.


A integração do Brasil à ESO: programas especiais

Em consequência da assinatura do termo de adesão do Brasil à ESO, foi estabelecida com a mesma uma série de medidas especiais com a finalidade de integrar o Brasil o mais rápidamente possível à organização:

1. Informação aos astrônomos para a próxima rodada de pedidos de tempo (data-limite: 31/03/2011)

Estão sendo organizadas visitas de representantes da Diretoria de Ciência da ESO a centros de pesquisa em astronomia de norte a sul do Brasil para fornecer informações sobre a instrumentação disponível em La Silla, Paranal e APEX, bem como para a "Early Science" com o ALMA. Nessas reuniões serão também realizados tutoriais para preparação de pedidos de tempo nos telescópios da ESO.

2. Estágios de Pós-Doutores da ESO no Brasil

Existe uma grande disposição de parte dos dirigentes da ESO em incentivar interações e colaborações com a comunidade astronômica brasileira. Assim, iniciativas e contatos por parte dos astrônomos brasileiros com colegas da ESO serão muito bem-vindas. Veja aqui uma descrição mais detalhada desta iniciativa, com uma lista preliminar dos interessados.

3. Engajamento nos programas de instrumentação


O chefe da Divisão de Instrumentação e o Diretor de Programas da ESO virão em breve ao Brasil para apresentar uma visão geral do programa de instrumentação, incluindo aí a instrumentação prevista para o ELT, quando serão discutidas as oportunidades de engajamento dos pesquisadores brasileiros e da indústria brasileira em todos esses programas.

4. Estágios e posições permanentes

Está sendo organizado um programa para estágios de pesquisadores e engenheiros brasileiros, com apoio financeiro da própria ESO e do Brasil. Da mesma forma, existem posições permanentes anunciadas em diversos websites da ESO que são abertas a pessoas oriundas dos países membros, e consequentemente desde já aos brasileiros. A página de recrutamento da ESO tem uma lista das posições atualmente abertas.

5. Nodo regional do ALMA

Existem atualmente centros regionais do ALMA (Atacama Large Millimeter Array) na Europa, EUA e Japão que fazem a interface do projeto com a comunidade dos usuários. A ESO sugere que seja criado no Brasil um nodo do centro europeu do projeto.

6. Atividades Industriais

Uma investigação preliminar já demonstrou que existem no Brasil diversas companhias qualificadas para desenvolver projetos industriais para a ESO em múltiplos ramos de especialização. Já está sendo organizado um "Industry Day" no Brasil para despertar o interesse da indústria em diversos projetos da ESO, e uma visita de empresários brasileiros aos sítios do Paranal e ALMA.

7. Encontros científicos no Brasil

Além dos encontros previstos nos itens 1,2,5 acima, a ESO participa regularmente de encontros científicos nos países-membros. A Reunião Anual da SAB em setembro próximo contará com representantes da ESO para fazer uma apresentação mais completa da instituição à comunidade brasileira, que contará inclusive com o Diretor Geral, Tim de Zeeuw. Outras reuniões científicas (workshops, etc...) poderão ocorrer no país a partir de 2012.

8. Divulgação Científica

A ESO conta com farto material de divulgação em diversas línguas, inclusive em português. Este material está já acessivel para educadores, jornalistas e todos os interessados do Brasil.

9. Participação nos órgãos colegiados da ESO

A ESO tem múltiplos órgãos colegiados tais como o Conselho (que é o órgão dirigente máximo) e os comitês de Usuários, de Finanças e Técnico-Científico. O Brasil terá assento em todos eles, mesmo enquanto a convenção da ESO não for ratificada pelo Congresso Nacional. Nesta primeira fase, o Brasil participará destes órgãos sem direito a voto.