Estrelas

1- As estrelas e os planetas são formados de maneira distinta?

Planeta (em oposição à estrela) é um corpo em cujo interior as condições de temperatura e pressão não são suficientes para sustentar, de forma continuada, as reações de fusão nuclear responsáveis pela luz das estrelas. Como a temperatura e pressão internas dependem basicamente da massa total do corpo, este é o parâmetro que determina qual tipo de objeto, se estrela ou planeta, ele se tornará. Assim, corpos que durante sua formação consigam acumular uma massa maior que  0.08 massas Solares (~80 massas de Júpiter) se tornam estrelas, enquanto aqueles que não conseguem crescer além de umas 13 massas de Júpiter se tornam planetas. Entre estes dois limites estão objetos conhecidos como anãs marrons, limítrofes entre os planetas gigantes e as estrelas de menor massa, os quais podem ter, episodicamente e de forma ineficiente, processos de fusão ocorrendo em seu interior.

O fator que limita o crescimento das proto-estrelas (ou dos proto-planetas) é meramente a quantidade de matéria disponível em sua vizinhança durante sua formação. A composição da nuvem onde se dá esse crescimento tem muito pouca influência em determinar se  objeto será um planeta ou uma estrela, já que mais de 90% da matéria no Universo está sob a forma de átomos de Hidrogênio, mas dela dependem os tipos de planetas ou estrelas que podem ali se formar. Para que existam planetas como a Terra, por exemplo, é necessário que a nuvem seja relativamente rica em elementos pesados. Como todos os elementos mais pesados que o Lítio foram necessariamente formados em interiores de estrelas, qualquer planeta ou estrela que os contenha é composto, ao menos em parte, por matéria ejetada durante os estágios finais de estrelas massivas.

No caso do Sistema Solar, se acredita que os planetas se formaram a partir do material da nuvem proto-solar durante os estágios finais da formação do Sol. A abundância de elementos pesados, presentes tanto nos planetas como no próprio Sol, indica que a nuvem proto-solar havia sido previamente  enriquecida por matéria ejetada por uma  ou mais estrelas em nossa vizinhança.


2 - Gostaria de uma visão geral de como se formam, quanto duram, e como morrem as estrelas.

O tempo de vida de uma estrela depende basicamente da sua massa inicial. A massa da estrela determina a sua temperatura central, que, por sua vez, determina a taxa de queima nuclear e, portanto, a sua evolução.

As estrelas se formam a partir da fragmentação, seguida da condensação, de nuvens de gás (principalmente Hidrogênio) e poeira presentes nas galáxias. À medida que a nuvem proto-estelar se contrai, sob a influência de sua própria gravitação, a sua temperatura aumenta devido à energia liberada pela contração. Neste estágio a proto-estrela emite radiação no infra-vermelho. Quando a temperatura central da nuvem atinge cerca de dez milhões de graus os núcleos de Hidrogênio (H) começam a sofrer fusão. A energia obtida com a conversão de H em Hélio (He) é suficiente para suprir as necessidades da estrela. A contração cessa, pois agora existe uma fonte de energia térmica que se contrapõe ao colapso gravitacional, e a estrela atinge uma situação de equilíbrio. A estrela se mantém estável até que o H do seu núcleo seja consumido, mas isso leva muito tempo - representa aproximadamente 90% da vida da estrela. Essa fase da vida da estrela é chamada Seqüência Principal (SP),  porque a maioria das estrelas encontram-se  nessa seqüência do diagrama evolutivo.

Quando o H central se esgota, a estrela necessita de uma nova forma de obtenção de energia. A maneira mais imediata é a contração gravitacional. O núcleo da estrela, neste momento  é composto basicamente pelo He criado a partir da queima de H. Este núcleo de He é envolto por camadas de H que não foram consumidas durante a sua fase de SP. À medida que a estrela se contrai, o seu núcleo de He se aquece. Junto com o núcleo, as camadas imediatamente superiores a ele também se contraem e o H das primeiras camadas próximas ao núcleo começa a queimar. Dizemos que o H está sendo queimado em uma concha ao redor do núcleo. O He criado nesta nova queima também vai sendo depositado no núcleo, que continua a se contrair. O núcleo vai se aquecendo devido à contração. A energia liberada na contração do núcleo empurra as camadas superiores (de H) para fora, de modo que essas camadas se expandem e esfriam rapidamente. Com isso, a estrela aumenta de tamanho e a sua temperatura superficial diminui. O fim da queima do H marca a saída da estrela da SP e o início da fase de gigante vermelha.

Quando o núcleo de He atinge uma temperatura alta o suficiente, inicia-se a queima do He. Depois da ignição a estrela queima He primeiro no núcleo, depois na concha, como no caso do H. Os produtos da queima de He  são o carbono e o oxigênio, que vão sendo depositados no núcleo. Cada vez que a estrela esgota um combustível, o núcleo contrai e ocorre a ignição de um elemento mais pesado, produto da queima anterior: primeiro no núcleo, depois numa concha. Este ciclo se repete até elementos mais pesados, como o Ferro. Este esquema simplificado, na verdade, apresenta muitas variações possíveis, devido aos diferentes processos que podem ocorrer no interior das estrelas de acordo com a sua massa inicial.  Na SP, os processos evolutivos são basicamente iguais, variando na velocidade dos processos: as estrelas com massas maiores consomem o seu H mais rapidamente, pois precisam gerar mais energia para vencer a contração gravitacional; por isso, elas ficam menos tempo na SP. Depois que saem da SP, processos evolutivos das estrelas se diferenciam bastante, de os acordo com a sua massa, como mostra a figura abaixo

A evolução das estrelas pós-SP podem ser  resumidos da seguinte forma:

Estrelas com massas de 10%  a  40% da massa do Sol: quando esgotam o H no seu núcleo, este, formado basicamente de He, se contrai. À medida que o núcleo contrai, os átomos de He são esmagados, devido à alta densidade do núcleo: a matéria do núcleo é dita degenerada, com propriedades físicas diferentes. Por exemplo, a matéria  degenerada consegue suportar altas pressões sem grandes alterações no seu volume. Além disso, a matéria degenerada é muito eficiente na condução do calor. Essas duas propriedades somadas fazem com que o núcleo pare de se contrair, ao mesmo tempo em que  a temperatura do núcleo torna-se uniforme. Porém, como a sua massa é pequena, a contração gravitacional não é suficiente para aumentar a temperatura e iniciar a queima de He. Essas estrelas passam diretamente para a fase de anã-branca de He e vão se apagando lentamente. Sem nenhuma reação nuclear possível, as anãs brancas são destinadas a apenas irradiar a sua energia armazenada durante toda a sua evolução até se tornarem anãs negras.

Estrelas com massa igual à massa do Sol: depois que a estrela sai da SP, a sua estrutura básica é: um núcleo degenerado e isotérmico (temperatura é igual em todo o núcleo) de He + concha com queima de H + envoltório de H inerte. A contração gravitacional do núcleo aumenta a sua temperatura  até que esta seja suficiente para iniciar a queima do He. Porém, como o núcleo é isotérmico, a queima do He se inicia de maneira violenta. É como se todo o núcleo começasse a queimar ao mesmo tempo; este é o flash do Hélio. Com a energia liberada, o envoltório se expande e a queima de He é controlada. A queima de He produz carbono e oxigênio, que são depositados no núcleo. Quando o He do núcleo se esgota, este se contrai e aquece. O He começa a ser queimado na concha e as camadas mais externas da estrela são ejetadas, formando uma nebulosa planetária, provavelmente devido a instabilidades na queima de He na concha. Ao mesmo tempo, o seu núcleo colapsa e se aquece, porém não atinge temperatura suficientemente alta para  iniciar a queima do carbono. O núcleo, então, se torna uma anã-branca de carbono e esfria lentamente.

* Estrelas com 5 massas solares: quando sai da SP, o núcleo de He da estrela  começa a se contrair e se aquecer. A contração gravitacional é bastante eficiente e o centro do seu núcleo atinge a temperatura suficiente para o início da queima do He antes que a matéria do núcleo se torne degenerada. Quando o He do núcleo se esgota, a queima do He prossegue na concha; o núcleo é composto por carbono e oxigênio produzidos pela queima de He. Como no caso do He para estrelas de uma massa Solar, a queima de carbono pode ser explosiva, se o núcleo da estrela tornar-se degenerado. Esta queima explosiva é chamada detonação do carbono, e ocorre apenas em estrelas com massas entre 3 e 9 vezes a massa do Sol. Esta queima explosiva pode ser tão violenta a ponto de destruir a estrela: as camadas mais externas podem ser ejetadas violentamente e o núcleo colapsa rapidamente. Se a massa do núcleo for maior que 1.4 massas solares, ele se transforma em uma estrela de nêutrons. Este processo explosivo é chamado supernova, devido à imensa quantidade de energia e luminosidade liberadas.  As camadas acima do núcleo são ejetadas violentamente. As supernovas apresentam altas luminosidades (mais ou menos um bilhão de vezes a luminosidade do Sol) e irradiam enormes quantidades de energia. À medida que a matéria ejetada se expande, a luminosidade diminui.

* Estrelas com aproximadamente 30 massas solares: depois de consumir todo o seu H a estrela  queima os elementos produzidos,  sucessivamente, primeiro no núcleo, depois numa concha. Esses processos de queima são intercalados com contrações do núcleo. Porém, depois da queima do silício, que produz o ferro, o núcleo se contrai novamente. A queima do ferro  marca o início do fim. Qualquer reação nuclear que ocorra, então, absorve energia, ao invés de produzí-la, o que acelera a contração. O colapso do núcleo  de ferro gera altíssimas temperaturas e densidades e a estrela explode como uma supernova. Se a massa do núcleo em colapso exceder 3 massas solares, o colapso continua e forma-se um buraco negro.



Os pontos mais  importantes da evolução estelar são:


1- A evolução estelar é dominada pela gravidade;

2- Quanto maior a massa da estrela, mais rápida é a sua evolução;

3- Os principais estágios finais de evolução estelar são: anãs-brancas, estrelas de nêutrons e buracos negros; também são observados processos de ejeção de massa: nebulosas planetárias e supernovas.

4- Os elementos cada vez mais pesados são produzidos no interior das estrelas através da fusão de elementos mais leves.

As trajetórias evolutivas de estrelas com 1, 5 e 30 massas solares (M¤ ) estão representadas na figura ao lado. Por essa figura, podemos observar a variação da temperatura e da luminosidade das estrelas a medida que elas evoluem: cada número das trajetórias representam um estágio evolutivo diferente. Esses estágios estão especificados na tabela abaixo, que mostra, passo a passo, a evolução das estrelas, junto com o tempo aproximado que a estrela demora em cada fase.

1 M¤

5 M¤

30 M¤

1 ® 2 : Seqüência Principal queima de H no núcleo (7 bilhões de anos) 1 ® 2 :queima de H no núcleo (65 milhões de anos) 1 ® 2 : queima de H no núcleo (5 milhões de anos)
2 ® 3: estabelecimento da concha de H (2 bilhões de anos) 2 ® 3:contração gravitacional (2 milhões de anos) 2 : saída da Seqüência Principal
3 ® 4 : queima de H na concha espessa (1,2 bilhões de anos) 3 : estabelecimento da concha de H 2 ® 3 : contração do núcleo e expansão do envoltório (86 mil anos)
4 : estreitamento da concha 3 ® 4 : queima de H na concha espessa (1,2 milhões de anos) 3 ® 6 : queima de H na concha (10 mil anos)
4 ® 5 : queima de H na concha estreita (160 milhões de anos) 4 : estreitamento da concha 6 : início da queima do He
6 : início da queima violenta do He 4 ® 5 : queima de H na concha estreita (700 mil anos), contração do núcleo de He e expansão do envoltório 6 ® 10 : queima He - C no núcleo e H - He na concha (53 mil anos)

 

5 ® 6 : gigante vermelha (480 mil anos) 10 ® 11 : o núcleo de He colapsa (1 mil anos)

 

6 : início da queima de He; o núcleo se expande

 

 

7 ® 8 : o envoltório contrai e se aquece; a luminosidade aumenta (1 milhão de anos)

 

 

8 ® 9 : o núcleo cessa a expansão e se contrai (9 milhões de anos)

 

 

10 ® 11 : o raio aumenta e a queima de H na concha é reduzida ( 8 mil anos)

 

 

11 : início da queima do He numa concha; núcleo=oxigênio + carbono se contrai

 


Aqui vão algumas dicas para ajudar a interpretar o diagrama temperatura e luminosidade, T L

1- As partes pontilhadas das trajetórias não foram calculadas; apenas indicam a direção da evolução da estrela no diagrama TL e o lugar final que ela ocupará. As outras etapas da evolução  foram calculadas  levando em consideração os processos  físicos que ocorrem no interior estelar.

2- Uma linha horizontal no diagrama TL indica  que a estrela diminui ou aumenta a temperatura, dependendo do sentido. A direção do aumento do raio está indicada por uma seta no canto inferior esquerdo. Desse modo, quando a trajetória evolutiva da estrela move-se nessa direção significa que o seu raio está crescendo. Como conseqüência, a sua gravidade superficial, pressão e densidade diminuem.

3- A luminosidade aumenta na direção vertical, de baixo para cima. A parte superior do diagrama indica altas luminosidades e pequenas magnitudes. A luminosidade das estrelas está diretamente ligada ao seu raio, pois quanto maior a superfície radiante, maior será a luminosidade da estrela.



3 - Gostaria de saber o que é radiação de corpo negro e qual o seu uso na astronomia

Todos os objetos materiais emitem algum tipo de radiação; o tipo e quantidade dessa radiação dependem basicamente da temperatura do objeto. Vamos imaginar um objeto cuja superfície absorva toda a radiação incidente sobre ele e a transforme unicamente em calor, e que nenhuma luz incidente neste objeto seja refletida para os nossos olhos. Esse objeto é chamado de corpo negro e a radiação emitida por ele é chamada de radiação de corpo negro. A distribuição dessa radiação em diferentes freqüências depende única e exclusivamente da temperatura do objeto, não importando a sua forma ou composição química.

Em astronomia, o modelo matemático que melhor descreve a radiação que observamos das estrelas é o modelo de corpo negro. Assim, através da distribuição de radiação de uma estrela podemos inferir a sua temperatura.


4 - Por que vemos as estrelas com cores diferentes?

As cores (ópticas) de uma estrela são o que o olho humano pode perceber. Ele registra de forma diferente parcelas do espectro óptico: enxerga-se muito bem no amarelo, menos no vermelho e menos ainda no violeta. Isto está relacionado com o processo de evolução do homem e a radiação de sua estrela tipo G2 (amarela), o Sol. O olho humano não privilegia um segmento (por exemplo o amarelo) de toda a faixa espectral óptica, mas percebe toda a faixa de uma só vez. Além disso, a sensibilidade do olho humano para diferentes freqüências influencia o modo de vermos as estrelas. Quando vemos um objeto azul sob luz branca é porque ele está refletindo a parcela do azul na luz incidente, e absorvendo todas as demais cores. No caso de estrelas, elas irradiam em regiões do espectro que vão para além ou aquém da faixa óptica. A intensidade relativa entre diferentes freqüências irradiadas por uma estrela depende de sua temperatura.

No quadro abaixo, você verá uma faixa com as cores que percebemos no óptico, uma curva e um disco com a cor registrada pelo olho humano. A curva informa-nos sobre o quanto a estrela está irradiando em uma dada freqüência, de acordo com a sua temperatura. Esta curva é denominada de curva de corpo negro, um corpo ideal que absorve toda a radiação que lhe é incidente (refletindo absolutamente nada), se aquece por isto e emite, segundo o padrão que ele define, uma radiação dependente somente da sua temperatura.

Uma estrela M irradia muito no infra-vermelho (vide gráfico), algo no vermelho e diminuindo mais ainda quanto mais para o azul. O nosso olho, como dito acima, perceberá toda a faixa do óptico segundo sua sensibilidade para diferentes cores, e de acordo com o quanto a estrela irradia nestas cores. Portanto, vemos estrelas vermelhas, alaranjadas, amarelas, branco-azuladas e azuis, porque é o matiz resultante da mistura de diferentes contribuições da radiação estelar a qual enxergamos. A cor da estrela, na realidade, é o que rigorosamente denominamos de matiz, isto é, a tendência em cor da mistura e contribuição de diferentes cores. Não vemos estrelas verdes porque esta cor, além de ser um segmento estreito do espectro óptico, está misturada às suas cores vizinhas. Quanto às estrelas violetas, não as vemos pelo mesmo motivo anterior aplicado à não existência de estrelas verdes, reforçado com o fato de sermos pouco sensíveis a este extremo da faixa espectral óptica. Ademais, não há estrelas O e B na vizinhança Solar.

Convém frisar que a percepção de cores em fontes pontuais fracas é difícil. Quando olhamos para o firmamento, vemos imediatamente pontos brancos ou branco-acinzentados; as estrelas de coloração avermelhada (ou de outra qualquer) será percebida assim após algum tempo de observação a olho nu.



5 - Gostaria de saber o que é o processo de transformação de Hidrogênio em Hélio, e de Hélio em Ferro.

Durante toda a vida de uma estrela existe uma competição constante entre duas forças: a contração gravitacional (que comprime o gás no interior estelar) e a pressão radiativa (liberação de energia através das reações nucleares que ocorrem no interior estelar). Com a contração gravitacional, o gás no interior da estrelas é comprimido até atingir densidades e temperaturas altíssimas. Quando uma determinada temperatura é atingida, cria-se o ambiente propício para a ocorrência das reações nucleares e, com isso, iniciar a liberação de energia e conter o colapso gravitacional. Uma reação nuclear genérica é uma reação do tipo:

a + X ® b + Y

Uma partícula (a) incide sobre um núcleo alvo (X) produzindo um novo núcleo (Y) e emitindo uma partícula (b). A diferença de massa entre (a+X) e (b+Y) é transformada em energia e é emitida. Esse tipo de reação que cede energia é chamada exoérgica. Quando a reação necessita absorver energia para acontecer, é chamada endoérgica.



Queima do Hidrogênio
-Quando uma estrela se forma, ela é composta basicamente por Hidrogênio (80% ou mais) e Hélio (20% ou menos) e uns traços de outros elementos mais pesados que, em astronomia, são chamados genericamente de "metais". O primeiro elemento a ser consumido (ou "queimado") nas reações nucleares é o Hidrogênio, por ser o elemento que necessita da menor temperatura para o início das reações nucleares. Mesmo sendo a menor, quando comparada com outros elementos, a temperatura mínima necessária para o início da queima de Hidrogênio é entre 1 e 10 milhões de graus no interior da estrela.

Existem dois processos principais de queima do Hidrogênio: a cadeia pp e o ciclo CNO. A cadeia pp ocorre nas estrelas de massas mais ou menos iguais a massa do Sol. O resultado líquido da cadeia pp é a conversão de 4 átomos de Hidrogênio (H) em 1 átomo de Hélio (He). Nas estrelas com massas maiores, o ciclo CNO vai se tornando cada vez mais importante. No ciclo CNO 4 átomos de H são transformados em 1 átomo de He, com o Carbono (C) atuando como catalisador das reações; o C acelera as reações mas não é "queimado".

Queima de Hélio
- O He que vai sendo produzido pela queima do H se concentra no núcleo da estrela, por ser mais pesado. O núcleo de He se contrai até que a temperatura central chegue a 100 milhões de graus; com essa temperatura, inicia-se a queima de He. O processo de queima do He é chamado "Triplo alfa" e o seu resultado líquido é a conversão de 3 átomos de He em 1 átomo de C. Paralelamente a reação principal, ocorrem outras reações secundárias que resultam na produção de Oxigênio (O) e Neônio (Ne).

Queima do Carbono
- Quando o núcleo rico em C, O e Ne, resultante da queima de He, atinge uma temperatura de aproximadamente 700 milhões de graus, a queima do C é iniciada. Existem varias reações de queima de carbono produzindo Magnésio (Mg), Sódio (Na), Neônio (Ne) e Oxigênio (O). Ao mesmo tempo, ocorrem reações combinando C + O e O + O, produzindo Silício (Si) e Enxofre (S).

O processo de produção de novos elementos pára quando o núcleo da estrela é formado basicamente por Ferro (Fe) e Níquel (Ni). As reações de queima do Fe e outros elementos vizinhos na tabela périodica são endoérgicas,ou seja, necessitam absorver energia para acontecerem. O núcleo da estrela, que já estava sofrendo colapso gravitacional, perde energia mais rapidamente e o seu colapso é acelerado. Este processo é determinante para a estrela, pois seu efeito é a explosão da estrela como uma supernova . Essa explosão é o resultado do choque das camadas mais externas que estão caindo e ricocheteiam no núcleo estelar.

Alguns elementos mais pesados que o Fe são produzidos logo após a explosão da supernova: a energia liberada pela explosão é tão alta e o gás atinge temperaturas tão elevadas (da ordem de bilhões de graus) que possibilita a ocorrência de reações nucleares que produzem, entre outros elementos, Tório (Th), Urânio (U) e Bário (Ba). Após a explosão da supernova os elementos produzidos pela estrela durante toda a sua vida são ejetados para o meio ambiente que a cerca (meio interestelar); este gás enriquecido será utilizado na formação de uma nova geração de estrelas e talvez planetas.

Os principais resultados dos processos de queima são:

- os elementos produzidos pelas reações são cada vez mais pesados e vão se concentrando no núcleo das estrelas;

- os elementos produzidos durante um processo de queima servirão de combustível para as reações seguintes;

- as temperaturas necessárias para o início da queima dos novos elementos produzidos são cada vez mais altas;

- antes do início da queima de um determinado elemento, o núcleo da estrela sofre uma contração gravitacional; é essa contração que eleva a temperatura central até atingir o valor necessário para iniciar a queima.

- as condições (temperatura e densidade) necessárias para a ocorrência das reações nucleares são determinadas pela massa da estrela. Quanto maior a massa de uma estrela, mais intenso será o colapso gravitacional do seu núcleo e mais elevada será a sua temperatura central. Sendo assim, algumas estrelas com massas pequenas (como o Sol, por exemplo) não conseguem atingir uma temperatura nuclear suficiente para iniciar a queima do carbono; estrelas com massas menores que o Sol nem chegam a queimar o He; estrelas com massas muito maiores que o Sol passam por todos os estágios de queima e chegam até o estágio de supernova.



6 - Qual a origem da seqüência OBAFGKM para a classificação das estrelas?

A classificação de espectros estelares se iniciou quando se percebeu que certos padrões recorrentes podiam ser observados e que serviriam para agrupá-los convenientemente. O primeiro esquema de classificação espectral baseava-se na intensidade das linhas de Hidrogênio: o espectro com as linhas mais fortes pertencia ao grupo A, o espectro com as linhas um pouco menos fortes, ao grupo B, e assim por diante. Também se acreditava que tal arranjo de grupos espectrais (A, B, C...) estava relacionado com um aspecto evolutivo das estrelas, ou seja, os espectros menos complexos (poucas linhas espectrais) do tipo A, B, etc, eram produzidos por estrelas jovens, enquanto que os espectros mais complexos eram originados por estrelas antigas.

Atualmente sabemos que essas idéias iniciais são incorretas e que hoje a classificação espectral se baseia na variação da temperatura superficial das estrelas. Ao se arranjar os grupos formados na classificação inicial segundo este novo critério de temperatura, os tipos espectrais se distribuíram da seguinte maneira:

O, B, A, F, G, K, M

onde o tipo O corresponde as estrelas mais quentes, e as do tipo M, as mais frias. Este sistema e comumente chamado de sistema MKK (Morgan, Keenan e Kelman) de classificação espectral. As sete letras acima formam o núcleo da classificação que é composta ao todo por treze letras. Cada tipo espectral e ainda subdividido em dez partes e são denominados por números arábicos (e.g.: A3, K7, M1).

Os seis tipos espectrais restantes surgiram para dar lugar a casos especiais, são eles:

R, N, S, W,P, Q

Os tipos R e N são algumas vezes agrupados em C (de estrelas Carbonadas). As estrelas tipo S guardam semelhanças com as do tipo N, contudo são mais frias e variáveis de longo período. As do tipo W referem-se as estrelas Wolf-Rayet que são muito quentes com peculiaridades físicas que as diferem das estrelas de tipo O. O tipo espectral P designa objetos com espectros nebulosos cujas características fazem-nos interpretar como pertencentes as nebulosas. Finalmente, o tipo Q se refere ao espectro de Novas quando em fase explosiva. Estes dois últimos tipos espectrais (P e Q) são raramente usados, e na pratica seus respectivos espectros podem ser descritos por comparação com espectros padrões bem conhecidos na classificação base (O, B, A, F, G, K, M).

O diagrama ao lado fornece um panorama da atual classificação espectral:

W

   

R

N

S

|

     

|

 

O

B

A

F

G

K

M


Obs.: O tipo Of vem de uma classificação antiga quando se subdividia os tipos O e M com letras do alfabeto minúsculas


7 - As estrelas W apresentam cor acima do limite extremo azul?

As estrelas do tipo espectral W são objetos no estágio final de sua evolução, e de elevada temperatura. São chamadas de estrelas Wolf-Rayet. Seu espectro é formado inteiramente por linhas largas e intensas de emissão superpostas a um contínuo similar ao de uma estrela O ou B. Acredita-se que sejam núcleos expostos de grandes estrelas cuja massa inicial deve ter sido de 25 massas solares, mas que perderam 50% desta massa através de um poderoso vento estelar. As Wolf-Rayet guardam similaridades com o espectro de uma de tipo O ou B, mas estão destacadas da seqüência central (O -M) por causa de suas peculiaridades. Elas não são mais azuis que as do tipo O.



8 - Por que não existem (ou são raras) estrelas K6V, K8V, K9V, O0, O1, O2, A4V, A6V, A8V e A9V?

As estrelas estão divididas em classes: O, B, A, F, G, K, e M; essas classes subdividem-se em 10 subclasses: B0, B1, ...B9, A0, A1... As estrelas O são as mais quentes e luminosas e apresentam as maiores massas; as estrelas M são as mais frias e apresentam as menores luminosidades e massas. Uma estrela leva ~90% do seu tempo de vida convertendo Hidrogênio em Hélio no seu núcleo; essa fase é chamada "Seqüência Principal"(SP). O tempo de vida de uma estrela e, conseqüentemente, o tempo que ela permanece na SP dependem de sua massa. Para garantir uma queima estável de Hidrogênio, a massa de uma estrela deve estar entre 0.05 e 60 vezes a massa do Sol, que é igual a 1027 toneladas. Quanto maior a massa da estrela, mais rapidamente ela consome suas reservas de Hidrogênio e mais rapidamente ela sai da fase de SP. Além disso, as estrelas não estão distribuídas igualmente nas classes espectrais: as estrelas com massas menores são as mais comuns enquanto que as estrelas com massas maiores são mais raras. Na tabela abaixo, apresentamos alguns parâmetros das estrelas de acordo com o seu tipo espectral.

Parâmetros das Estrelas de Acordo com o seu Tipo Espectral

Tipo Espectral

Massa (Sol=1)

Luminosidade (Sol=1)

Tempo de vida na Seqüência Principal, em Milhões de Anos

Percentual Observado

O5

32

6.000.000      

1

         0,00002

B0

16

      6.000      

10  

0,1

B5

6

    600

100    

0,1

A0

3

    60

500    

1  

A5

2

    20

1.000      

1  

F0

    1,75

      6

2.000      

3  

F5

    1,25

      3

4.000      

3  

G0

    1,06

          1,3

10.000        

9  

G5

    0,92

          0,8

15.000        

9  

K0

  0,8

          0,4

20.000        

14    

K5

    0,69

          0,1

30.000        

14    

M0

    0,48

            0,02

75.000        

73    

M5

  0,2

              0,001

200.000          

73    

Observando a tabela acima, podemos chegar a três conclusões:

  1. Existem poucas estrelas de grande massa: a distribuição de massas privilegia as massas menores. Além disso, como evoluem muito rapidamente, elas permanecem pouco tempo na fase SP. Esses dois efeitos, somados, dificultam a observação de estrelas O e B na SP.
  2. Praticamente todas as estrelas K e M da Galáxia ainda estão na SP, pois ainda não tiveram tempo suficiente para evoluir e deixar essa fase.
  3. As estrelas K e M são as estrelas mais comuns da nossa Galáxia (+ de 80%). Por outro lado, também são as estrelas menos luminosas. Isto significa que conseguimos observar apenas aquelas estrelas K e M que estão mais próximas de nós. As estrelas K e M mais distantes não podem ser observadas ainda com os telescópios atuais. Por isso, temos a "impressão" que essas estrelas são incomuns.


9 - O que são Anãs Brancas?


As Anãs Brancas são estrelas muito pequenas (com raios cerca de 100 vezes menores que o do Sol), com densidades altíssimas e massas que variam que 0.1 a 1.4 da massa do Sol. Essas estrelas são o produto final da evolução de estrelas com massas menores que 8 vezes a massa do Sol.

Vamos acompanhar a evolução de uma estrela com massa menor que a do Sol:

As estrelas mantêm sua estabilidade através do equilíbrio entre a gravitação (força dirigida para dentro) e a pressão radiativa (força dirigida para fora). As estrelas, porém, estão continuamente perdendo energia para o meio que as circunda; nós percebemos essa energia como a luminosidade das estrelas. Então, para se manter em equilíbrio, as estrelas têm que produzir energia continuamente, através das reações nucleares que ocorrem no seu interior (a primeira reação é a fusão de Hidrogênio em Hélio). A pressão radiativa resulta dessas reações nucleares. A fonte de energia das estrelas, isto é, a quantidade de Hidrogênio disponível para a fusão no seu núcleo, é finita: quando este Hidrogênio acaba, a gravitação vence a pressão radiativa e a estrela se contrai, o que faz com que a sua temperatura central se eleve. Essa temperatura, entretanto, não chega a ser alta o suficiente para possibilitar a fusão do Hélio que foi produzido a partir do Hidrogênio. Dessa forma, a contração do núcleo continua; como resultado, a densidade (massa/volume) do núcleo aumenta rapidamente.

Sob condições de altíssimas densidades, as propriedades físicas do gás são alteradas. A separação média entre os elétrons (que se repelem, já que possuem a mesma carga) diminui muito, devido a alta densidade, de modo que os elétrons desenvolvem velocidades muito altas: este movimento aleatório dos elétrons gera uma pressão chamada "pressão de degenerescência". A matéria que constitui o núcleo é dita "degenerada". Neste momento, a estrela possui um novo mecanismo para conter o colapso gravitacional, que é a pressão de degenerescência, aquela produzida pela matéria degenerada. Enquanto isso, a estrela continua perdendo energia para o meio interestelar mas, mesmo assim, o colapso é contido, pois a pressão de degenerescência depende apenas da densidade (que se mantém alta), mas não depende da temperatura. As Anãs Brancas não produzem energia nos seus núcleos e o seu destino é simplesmente ir perdendo energia, gradativamente, até se apagarem. O tempo de esfriamento de uma Anã Branca é maior que a idade do Universo.

Descrevemos acima a evolução de uma estrela com massa menor que a massa do Sol, que evolui direto para Anã Branca após a fase de queima de Hidrogênio, tornando-se uma Anã Branca de Hélio. Em estrelas com massa um pouco maiores (até o limite de 8 vezes a massa do Sol) as estrelas passam por processos de ejeção de massa no meio interestelar, o que funciona como um mecanismo para a obtenção de um novo ponto de equilíbrio. Esse recurso, porém, apenas, adia um pouco a fase de Anã Branca. Outra diferença característica das estrelas com massas um pouco maiores é que essas estrelas podem iniciar processos sucessivos de fusão nuclear: primeiro o Hélio, em seguida carbono, nitrogênio... Sendo assim, essas estrelas podem desenvolver núcleos degenerados constituídos de carbono e de outros elementos mais pesados. Ou seja, dependendo da massa inicial da estrela, teremos a formação de Anãs Brancas de carbono etc, até Anãs Brancas de ferro.



10 - É verdade que o Sol vai morrer?
(W., 11 anos)

Infelizmente, é verdade sim. O Sol é uma estrela típica. Foi "gerado": - algum evento veio a perturbar uma imensa e muito difusa nuvem de gás espalhada por uma vasta região do espaço. Devido a esta perturbação, esta nuvem começou a ficar cada vez menor e mais densa, atraindo suas partes externas, o que acelerou este processo que, na verdade, não é nada além da nuvem ir se concentrando cada vez mais em direção ao seu centro. Este processo continuou até que a temperatura no centro ficou tão grande que este centro começou a funcionar como um reator atômico, a produzir seu próprio calor. Este calor por sua vez foge da estrela na forma de luz e calor também; no momento em que a estrela começa a produzir sua própria luz e seu próprio calor dizemos que ela nasceu. O Sol, muito provavelmente "nasceu" desta forma. Hoje o Sol "vive", ou seja, o seu centro funciona como um reator nuclear de forma estável para produzir a luz e o calor que vemos o Sol nos enviar. Assim, calor e a luz que ele produz em seu núcleo aquece as camadas mais externas que se iluminam e se aquecem também e terminam por liberar parte da luz e do calor que receberam, e é por isso que vemos o Sol brilhar e nos aquecer. Por outro lado, esta produção de luz e calor em seu centro detém o processo de queda sobre si mesma da nuvem que formou a estrela. Uma estrela como o Sol se mantém estável devido ao equilíbrio entre estas duas forças: a matéria da estrela quer cair em direção ao centro mas o reator que ela criou em seu centro impede esta "queda" produzindo calor. Este processo, entretanto, não pode prosseguir para sempre. Assim, o Sol também irá morrer, isto é, não conseguirá mais produzir luz e calor. Mas não se preocupe tanto.A idade atual dele é de cerca de cinco bilhões de anos e ele ainda deve durar mais outros cinco bilhões. A vida existe sobre a Terra a 3,5 bilhões de anos. O homem habita a superfície da Terra a menos de um milhão de anos. Nosso planeta ainda será por muito mais tempo do que o homem já o habitou um lar seguro para todos nós, pelo menos se soubermos cuidar dele.

Abaixo estão mais detalhes desta história.

Toda estrela típica é formada, basicamente, por uma mistura de muito Hidrogênio e um pouco de Hélio, que são os elementos químicos mais simples e abundantes do Universo. O Sol produz sua luz e seu calor (o que chamamos genericamente de sua energia) transformando Hidrogênio, o mais simples dos elementos, em Hélio, que é o segundo mais simples dos elementos. Dizemos que o Hidrogênio é "queimado". O Hélio produzido vai se acumulando no centro da estrela.

Quando o Sol não conseguir mais queimar Hidrogênio, ou melhor, quando já tiver queimado quase todo o Hidrogênio que ele poderia queimar, ele irá possuir muito Hélio em seu centro e, não podendo mais produzir tanta energia quanto antes, não conseguirá novamente sustentar a "queda" da nuvem sobre ela mesma. Assim, ele voltará a cair sobre ele mesmo, da mesma forma que aconteceu até ele "nascer". Isto vai fazer com que ele vá apertando ainda mais o seu centro. Vai apertar tanto que ele vai conseguir queimar o Hélio acumulado no seu centro, ou seja, o seu centro será então um reator de Hélio da mesma forma como havia sido um reator de Hidrogênio. Da mesma forma que queimando Hidrogênio ele conseguia produzir Hélio, queimando Hélio ele agora produz carbono. E a queima do Hidrogênio, terá acabado de todo? Não! A queima do Hidrogênio continuará a acontecer somente numa camada ao redor do centro, como uma casca. E essa queima de Hidrogênio nesta casca fará com que os gases de sua atmosfera se expandam. O Sol já não será uma estrela típica: ele se tornará uma gigante vermelha. Gigante porque sua atmosfera irá se expandir, e muito. O Sol hoje é uma bola muito grande, tem um raio de um milhão de quilômetros. Mas quando se tornar uma estrela gigante este raio pode crescer até cerca de 100 milhões. Vai ficar imenso! A Terra está hoje a um pouco menos de 150 milhões de quilômetros do Sol. Ele vai ocupar a maior parte da distância que hoje nos separa dele! Bom, e por que vermelha? Voce já deve ter reparado que uma chama pode ter diferentes cores. Existem vários fatores que determinam estas cores. Mas no caso das estrelas, a cor é determinada pela temperatura. A cada cor corresponde uma temperatura! Vermelho é uma cor típica de temperaturas em torno de 2500 a 3500 graus. Esta será a temperatura da gigante em que o Sol terá se tornado. A temperatura da superfície do Sol hoje é de cerca de 6.000 C e a cor associada a esta temperatura é o alaranjado que nós vemos. Mas esta fase de gigante vermelha durará pouco. O estágio seguinte será o de uma nova contração e o Sol se tornará uma bola do tamanho da Terra isto é com um raio de apenas 6.000 quilômetros, mas muito brilhante. Ele será algo que é chamado de Anã Branca. O que antes era a superfície da gigante vermelha agora ficará livre e irá se expandir, formamdo uma nuvem esférica imensa no espaço. Nessa fase o Sol não produzirá mais energia através da queima de nenhum material e a sua luz virá exclusivamente da energia acumulada durante toda a sua vida. Lentamente ele irá esfriando, e terá sido a morte de mais uma estrela no Universo. Por outro lado, se as estrelas não existissem e não morressem, o Universo não teria os elementos químicos necessários para formar a vida. Como isto pode se dar?

Grande parte dos elementos químicos do Universo (como o Oxigênio, Carbono, Ferro etc) são produzidos no interior de estrelas muito maiores que o Sol. Essas estrelas evoluem de maneira diferente da forma como o Sol evolui e morrem em explosões fantásticas: são as supernovas. Nesta explosão são liberados vários dos elementos que a estrela produziu durante sua vida, ao mesmo tempo que outros elementos são produzidos na própria explosão. Este material liberado poderá vir a formar planetas rochosos como a Terra. Todos nós, feitos de Carbono, Oxigênio, e outros elementos químicos, somos poeira de estrelas mortas.

Por fim, mais uma coisa: foi dito no início que a geração de uma estrela começava quando uma nuvem muito grande no espaço era perturbada. Muitas vezes o que causa a perturbação desta nuvem é a explosão de uma outra estrela. A morte de uma estrela pode provocar o nascimento de outras! O nosso Sol tem todas as características de ter nascido desta forma.

Existe uma revista científica voltada para criancas, é a Ciência Hoje das Criancas. Este tema está abordado nos seguintes artigos:

- No número 20, página 4 "As Três Mortes das Estrelas"
- No número 46, página 10 "O Futuro do Sol"
- No número 71, página 2 "De Olho nas Estrelas"



11 - Possuo três filhos cursando o primeiro grau e gostaria de uma orientação de como lhes explicar que as estrelas mortas possuem densidade tão alta que podemos encontrar algumas toneladas em 1cm3.

A ideia básica é a seguinte: a matéria que encontramos em nosso dia a dia é composta de átomos. Os átomos são compostos de três partículas: prótons, nêutrons e elétrons. Os prótons possuem carga elétrica positiva, os nêutrons não possuem carga e os elétrons possuem carga negativa. A massa dos prótons é cerca de 1900 vezes a massa do elétron. A massa do nêutron é um pouco superior a do próton. Sabemos do eletromagnetismo que cargas iguais se repelem e cargas opostas se atraem. A estrutura atômica nas condições que normalmente encontramos na superfície da Terra é a seguinte: núcleos atômicos formados por prótons e nêutrons são circundados por elétrons em diferentes distâncias do núcleo. Um átomo apresenta-se normalmente neutro: possui número igual de elétrons e prótons. A nuvem eletrônica que circunda o núcleo atômico é muito maior do que o átomo: um átomo do tamanho do Maracanã, por exemplo, teria o núcleo do tamanho de uma bola. Ligações atômicas, que possibilitam os átomos constituírem as moléculas, são feitas, normalmente com um ou mais elétrons passando a órbitar dois núcleos atômicos. Os núcleos, nestas condições, se mantém isolados pelas nuvens atômicas.

Como uma matéria muito mais densa pode ser criada? Se existir uma pressão tão grande que consiga colocar todos os núcleos dentro de uma mesma nuvem eletrônica. Essa matéria é a chamada matéria degenerada, e é aquela que constitui um dos objetos possíveis de serem formados como estágio final de evolução estelar: as anãs brancas. Aonde antes poderia apenas estar um núcleo atômico - responsável por 99,9% da massa de um átomo - agora podem estar vários e a matéria resultante disto é muito mais densa do que a matéria de nosso cotidiano. É como se pudéssemos colocar agora várias bolas em nosso Maracanã de elétrons. A densidade de uma anã branca é da ordem de 20 quilos por centímetro cúbico.

Como constituir um objeto ainda mais pesado do que uma anã branca? Isto é, como constituir um objeto com matéria ainda mais compacta do que a matéria degenerada? Só se tivermos um objeto com a densidade de um núcleo atômico. É isto possível? Sim. Imagine que consigamos formar um objeto só de nêutrons. Que consigamos fundir todos os elétrons da nuvem eletrônica nos prótons dos núcleos atômicos. Não há, assim, mais nuvem eletrônica. A densidade é agora a do núcleo atômico. Este objetos existem? Sim: são as chamadas estrelas de nêutrons. São os objetos com a maior densidade finita que conhecemos. A densidade de uma estrela de nêutrons é da ordem de 1.500 bilhões de toneladas por centímetro cúbico.



12 - Quais as distâncias da Terra das seguintes estrelas: aCrux, bCrux, gCrux, dCrux e Intrometida? Que outras informações interessantes (para o leigo e para a criança) existem sobre elas? (Magnitude, estrelas binárias, cor aparente, etc) ?

Aqui vão algumas informações a respeito das 5 estrelas mais brilhantes do Cruzeiro do Sul. Dentre as 5 principais estrelas do Cruzeiro do Sul, duas delas, a e g , são binárias de fácil observação com um binóculo. As estrelas a 1, a 2, b e d são estrelas "azuis", enquanto que g 1 e e (a Intrometida) são "laranja-avermelhadas". Na constelação do Cruzeiro do Sul existem algumas outras estrelas menos brilhantes, como por exemplo, a estrela k Crucis, perto da qual podemos observar um bonito aglomerado aberto, a "caixa de jóias".

Distância das Estrelas do Cruzeiro do Sul

Estrela

D(pc)

D(al)

Mv

a 1 Cru

125

38

1.4

a 2 Cru

125

38

2.1

b Cru

-

150

1.5

g 1 Cru

70

-

1.6

g 2 Cru

70

-

6.4

d Cru

333

102

2.8

e Cru

38

12

3.6


D(pc) é distância ao Sol em parsecs, D(al) é distância ao Sol em anos-luz (pode-se converter distâncias em pc para al sabendo que 1 pc = 3.26 al).

Mv é Magnitude visual aparente. Para efeito de comparação, Mv(Sol) = -29 e Mv(Sirius, a estrela mais brilhante do céu) =-1.3 (Vale lembrar que, quanto menor a magnitude, mais brilhante é a estrela).

Pelas distâncias das estrelas, pode-se notar que não existe associação física entre elas, o que não é nada excepcional, uma vez que as constelações seriam definidas meramente ao acaso. Para obter outros dados atualizados, veja o Anuário do Observatório Nacional, disponível em nossa biblioteca, inclusive para aquisição. Entretanto, seria interessante ressaltar que, em astronomia, dados específicos para um determinado astro são geralmente encontrados em fontes diferentes, dependendo do assunto de seu interesse, pois a literatura é muito especializada.



13 - Queria algumas informações relativas a 51 Pegasi.

51 Pegasi é uma estrela (a estrela de número 51 da constelação do Pégaso) que está situada a uma distância de 40 anos-luz de nós e é muito parecida com o nosso Sol, pois tem aproximadamente o mesmo raio e a mesma temperatura.

Em 1995 os astrônomos Michel Mayor e Didier Queloz, do Observatório de Genebra, encontraram evidências de objetos órbitando esta estrela. O "objeto companheiro" foi batizado de 51 Peg B. Ainda não se sabe qual a natureza deste objeto: alguns pesquisadores sugerem que se trata de um planeta, enquanto que outros dizem que se trata de uma anã marron (um objeto com massa pequena demais para ser estrela e grande demais para ser planeta), ou até mesmo que as evidências observacionais são indicadores de pulsações não-radiais da estrela. Em suma, o fenômeno associado a 51 Peg ainda não está confirmado como um planeta.

Os dados observacionais que dispomos atualmente sobre 51 Peg B, se este fenômeno for confirmado como planeta, podem ser interpretados da seguinte maneira: 51 Peg B teria um período de apenas 4 dias, em uma órbita circular, o que implicaria que a distância entre 51 Peg B e 51 Peg seria menor do que a distância entre Mercúrio e o Sol. A tal distância, a temperatura superficial do suposto planeta seria de aproximadamente 1000 graus Celsius, impossibilitando a vida tal qual a conhecemos.

Se o fenômeno associado a 51 Peg for realmente um planeta, a massa desse objeto não poderia ser determinada diretamente, mas apenas através das perturbações que este objeto provocaria na órbita da estrela primária, 51 Peg A. A determinação da sua massa depende da inclinação do plano órbital em relação ao Sol, pois a inclinação altera o movimento aparente da estrela: se o plano da órbita for paralelo a nossa linha de visada, então a massa mínima de 51 Peg B deve ser 0.6 vezes a massa de Júpiter; por outro lado, se o sistema estiver inclinado de um ângulo muito grande (quase perpendicular), a massa mínima de 51 Peg B pode ser ate 10 vezes maior que este valor, podendo chegar a 6 vezes a massa de Júpiter.



14 - Gostaria de saber mais sobre Vega.

A estrela Vega (a da Lira) é uma estrela jovem, de tipo espectral A0V e magnitude aparente igual a zero. Um fato notável a respeito desta estrela foi revelado em 1984, quando os dados do satélite astronômico IRAS foram liberados. Este satélite realizou, entre janeiro e novembro de 1983, um mapeamento do céu em 4 comprimentos de onda no infravermelho próximo, revelando (entre outras coisas) que uma parte razoável das estrelas eram mais brilhantes nestes comprimentos de onda do que seria de se esperar. Vega foi a primeira estrela onde se descobriu este tipo de comportamento e, por isto as demais estrelas com estes excessos no infravermelho passaram a ser referidas, ao menos por algum tempo, como sendo "do tipo Vega". Estes excessos no infravermelho foram logo interpretados como sendo causados por nuvens ou discos de partículas de poeira em torno destas estrelas. Esta poeira poderia ser a indicação da presença de sistemas planetários em estágios iniciais de formação. Provavelmente, foi por esta razão que Carl Sagan escolheu Vega como a fonte dos sinais captados no livro "Contato".



15 - Tenho algumas perguntas sobre a estrela Barnard I: Ela é realmente uma estrela ou planeta? Qual seu tamanho estimado e magnitude? Qual a sua velocidade atual estimada? Ela permanece ainda entre as 3 estrelas mais rápidas do cosmos? Qual é sua distância atual estimada em relação à Terra?

A estrela de Barnard é uma estrela anã vermelha, variável, da constelação de Ofiúco. Sua magnitude visual aparente é 9.55, enquanto que a magnitude visual absoluta (se a estrela estivesse a 10 parsec de distância) é 13.2. Não existe uma estimativa precisa do raio para esta estrela, pois o raio é um parâmetro difícil de ser determinado, assim como a massa. Porém, podemos observar que essa estrela é classificada como M4 V, numa escala de classes dada por O B A F G K M (divididas em 10 subclasses cada uma, variando de 0 a 9), em ordem decrescente de temperatura. Para ter uma referência, o Sol é uma estrela tipo G2, ou seja, um pouco mais quente que a estrela de Barnard. O algarismo romano indica a sua classe de luminosidade, ou tamanho, e V significa que essa estrela é classificada como uma anã, assim como o Sol. Como a estrela de Barnard é um pouco mais fria que o Sol, o seu raio também deve ser um pouco menor que o raio Solar. Essa estrela apresenta alta velocidade na sua linha de visada (velocidade radial) igual a 110 km/s, se aproximando do Sol. Além disso, ela é dotada do maior movimento próprio conhecido até agora: 10 segundos de arco por ano, o que dá mais ou menos 1 grau em 350 anos.

Dizer que essa estrela é uma das estrelas mais rápidas do "cosmos" é incorreto, pois não temos idéia das dimensões do nosso Universo, além de não podermos determinar com grande precisão os parâmetros relacionados com as estrelas mais distantes. Dentro de uma região de raio aproximadamente igual a 20 parsecs ou 600 trilhões de km em torno do Sol, chamada de "vizinhança Solar", essa estrela é a que apresenta maior movimento próprio. Isto não significa, necessariamente, que esta estrela apresenta uma das maiores velocidades espaciais, ou seja, que seja uma das mais rápidas.

Sua distância ao Sol é de 5.98 anos-luz (a.l.), ou aproximadamente 60 trilhões de km. A estrela de Barnard é a quarta estrela mais próxima do Sol: mais próximas que ela estão Próxima Centauri (4.23 a.l.) e Alpha Centauri (na verdade, um sistema binário, a 4.35 a.l.).



16 - Isaac Asimov questiona se a estrela Barnard I realmente se encontra mais distante que a Centauri. Até que ponto os cálculos de distância dos corpos celestes baseado no brilho podem ser aceitos como corretos?

As distâncias de uma estrela podem ser determinadas basicamente de duas maneiras: através de sua paralaxe e através da relação período-luminosidade das estrelas variáveis. A paralaxe (p ) de uma estrela é o ângulo subentendido entre a reta que define a direção da estrela e a distância media entre o Sol e a Terra, que é igual a 1 unidade astronômica (ua). Uma estrela que apresenta p =1" está situada a uma distância igual a 1 parsec (pc). A distância da Terra ao Sol é chamada de base; uma vez fixada essa base, quanto maior for a distância da estrela, menor será a sua paralaxe.

Fixando a base do nosso triângulo retângulo em 1 ua, podemos medir as oscilações que os astros mais próximos apresentam, em termos de perspectiva, em relação a infinidade de astros mais distantes, vistos das extremidades opostas dessa base. Ou seja, determina-se a posição de uma estrela em uma dada época do ano, seguida de uma nova determinação 6 meses depois (quando a Terra ocupa a posição diametralmente oposta na sua órbita em torno do Sol, e nesse momento temos a maior distância possível entre dois pontos sobre a órbita da Terra) . Este efeito é igual ao que sentimos quando enxergamos um objeto a uma determinada distância apenas com o olho esquerdo e depois apenas com o olho direito. Então, a partir do ângulo p , medido em segundos de arco ("), podemos determinar a distância D da estrela, em parsecs:

Este método pode ser aplicado com bastante precisão para estrelas situadas até 20 pc de distância do Sol; com a ajuda do satélite "Hipparcus" este limite pode ser extendido até 100 pc, pois a essa distância as paralaxes podem ser medidas com erros menores que 10%. A paralaxe da estrela de Barnard é igual a 0.545" e o inverso desse número é a distância: 1.83 parsecs, que corresponde a 5.98 anos-luz (1 pc =3.26 a.l.). A estrela mais próxima do Sol, Próxima Centauri, encontra-se a 4.23 a.l. e a Centauri (na verdade, um sistema binário) encontra-se a 4.35 a.l. do Sol. Ou seja, a estrela de Barnard é realmente mais distante do Sol que a Cen. Para distâncias maiores que 100pc (talvez um pouco mais, aceitando-se erros um pouco maiores), a paralaxe torna-se muito pequena e, conseqüentemente, difícil de ser medida.

As estrelas variáveis intrínsecas, como as Cefeidas ou RR Lyrae, apresentam uma característica muito importante: elas obedecem a uma relação entre o seu período de variabilidade e a luminosidade. Isto significa que a partir dos períodos das Cefeidas (desde poucos dias até centenas de dias), que podem ser determinados através de um acompanhamento da variação do seu brilho, podemos estimar a sua magnitude aparente média. Em um diagrama que contenha esses dados podemos observar que o brilho das Cefeidas aumenta à medida que o período aumenta. Isto se deve ao fato de que o período de oscilação da estrela sob ação da gravidade é determinado, essencialmente, pela sua densidade média. A densidade média é uma propriedade intrínseca da estrela e, para estrelas normais, existe uma boa correlação entre os parâmetros físicos intrínsecos e a luminosidade absoluta. O significado prático da relação período-luminosidade (PL) é que a luminosidade absoluta de uma variável pode ser estimada a partir do seu período; uma vez conhecida a magnitude absoluta, podemos estimar a sua distância. Este método se aplica a variáveis situadas em galáxias próximas.



17 - Conhecendo-se as coordenadas de duas estrelas (ascensão reta (RA) e declinação (DEC)), bem como as distâncias (paralaxes (p )) de cada uma delas ao Sol, como calcular a distância (em parsecs) entre elas?

O sistema de coordenadas citado é um sistema de coordenadas tridimensional esférico. A origem do sistema somos nós. A coordenada radial (r), a distância em parsecs, é dada pelo inverso da paralaxe (p ), ou seja r = 1/p .
A coordenada azimutal f (0£ f £ 2p ) é dada pela ascensão reta (RA) e a coordenada q (0£ q £ p ) é dada pela declinação (DEC). Este sistema pode ser, assim, diretamente usado para o cálculo da distância entre dois pontos no espaço. Seja então,

1 - coordenada da primeira estrela
2 - coordenada da segunda estrela
q(DEC), p(RA)
sen(x) - função seno de   x
cos(x)
- função cosseno de   x A distância D, em parsecs, entre as duas estrelas será dada por:



18 - Quando observamos a imagem de uma estrela que está, por ex., a 500 milhões de anos-luz, significa que a fonte emissora, necessariamente, ainda existe ou pode estar completamente extinta? Supondo que a estrela, já não exista mais, e pudéssemos observar sua imagem, como a luz por ela antes emitida se manteria no espaço sem a respectiva fonte?

1 ano-luz é uma unidade de medida de distância correspondente ao trajeto percorrido pela luz, cuja velocidade é de 300.000km/s, durante um ano. A luz emitida por uma estrela não interage mais com essa estrela, mas sim se propaga a partir do ponto de emissão. Para construir uma imagem, uma gota de chuva, a partir do momento que sai de uma nuvem, não tem mais nenhum vínculo com a nuvem que a originou e com a história futura dessa nuvem. Assim também se dá com a luz e uma fonte: a partir do momento em que a luz é emitida, já não há mais nenhum vínculo; entre a luz e sua fonte emissora.

A imagem que vemos do Sol agora, por exemplo, foi emitida há 8 minutos atrás; isto significa que o Sol está a uma distância 8 minutos-luz da Terra. Então, se observamos uma estrela situada a 300 anos-luz de nós, a imagem que estamos recebendo neste instante foi aquela emitida pela estrela há 300 anos. A imagem que está sendo emitida pela estrela agora, caso ela ainda exista, será observada por nós daqui a 300 anos.

As fontes emissoras de nosso Universo não duram igualmente: por exemplo, existem estrelas que duram alguns milhões de anos e outras que duram dezenas de bilhões de anos. As estrelas que observamos não estão todas no mesmo estágio evolutivo: algumas acabaram de se formar enquanto que outras podem estar nos seus últimos momentos de vida. Então, se observamos uma estrela situada a 10 milhões de anos-luz de nós, a sua luz foi emitida há 10 milhões de anos atrás; porém, se a estrela viveu por apenas mais 5 milhões de anos, ela não está mais no mesmo lugar, emitindo luz. E a informação de sua morte só chegará até nós depois de 10 milhões de anos.



19 - Qual é a gigante mais próxima do Sol? Qual a sua distância?

Na tabela abaixo listamos alguns dados sobre as estrelas do ramo horizontal das gigantes, ou simplesmente gigantes, mais próximas do Sol. A sua classe de luminosidade é representada pelo número romano III. Na primeira coluna damos o nome da estrela; na segunda, o seu tipo espectral; na coluna 3, a paralaxe, em segundos de arco e nas colunas 4 e 5, a distância, em parsecs e anos-luz, respectivamente.

Estrela
Tipo Espectral
par(")
d(pc)
d(al)
Pollux
K0
  0.093
   10.7
35
Arcturus
K2
0.09
11
36
Aldebaran
K5
  0.048
21
68



20 - Gostaria de obter alguns dados sobre o Sol, sua massa, período de revolução, idade..


O Sol, como o conhecemos hoje, possui as seguintes características:

Idade:

Aproximadamente 5 bilhões de anos (metade do tempo de vida previsto)

Temperatura superficial:

Cerca de 6.000 C

Temperatura no núcleo:

Estima-se em cerca de 10 milhões de graus C

Raio:

700.000 km (aproximadamente 111 raios terrestres)

Massa:

1.99 x 1033 kg (333.000 massas terrestres)

Densidade superficial:

1.41 g/cm3 (1/4 da densidade da Terra)

Período de rotação:

25 dias no equador e 30 dias nos polos (o período de rotação é diferenciado porque o Sol não gira como um corpo sólido)

Distância da Terra:

147 milhões km no periélio (ponto em que a Terra está mais próxima do Sol) e 152 milhões km no afélio (ponto mais distante)

Distância ao centro da Via-Láctea:

Cerca de 33.000 mil anos-luz

Velocidade de revolução na Galáxia:

Cerca de 220 km/s



21 - Por que o equador do Sol gira mais rápido que os pólos? Gostaria de uma abordagem que tratasse da dinâmica do plasma e não simplesmente de velocidade angular.

Sol não é um corpo sólido: ele é composto de gás a altíssimas temperaturas (plasma) no qual as partículas componentes se movimentam livremente e as suas distâncias ao eixo de rotação não se mantêm constantes. Vamos considerar dois pontos na sua superfície, um no polo e outro no equador, situados sobre o mesmo meridiano. Após uma revolução completa do Sol, o ponto sobre o equador se encontrará adiantado em relação ao ponto no polo: eles não mais estarão situados sobre o mesmo meridiano. A velocidade de rotação do Sol varia nas diferentes latitudes: é máxima no equador, com um período de 25 dias para uma rotação completa e mínima nos pólos, com um período de 30 dias. Essa diferença entre os períodos de rotação nos pólos e no equador é que caracteriza a rotação diferencial. Mas o que causa a rotação diferencial no Sol (e nas outras estrelas também)? Muitas teorias já foram propostas para explicar a origem e a manutenção da aceleração equatorial; apesar das teorias propostas reproduzirem razoávelmente os dados observacionais, ainda não existe um consenso sobre qual é o mecanismo que produz e mantêm a aceleração equatorial. As teorias propostas são divididas, basicamente, em dois grupos:
  1. aquelas que sugerem que a aceleração equatorial é causada por corrente meridionais (passando pelos 2 pólos) de grande escala, geradas pela soma dos efeitos do movimento turbulento abaixo da superfície Solar e do fato da viscosidade do plasma ser anisotrópica (os coeficientes de viscosidade de diferentes porções da atmosfera solar seriam diferentes).
  2. aquelas que sugerem que a interação direta entre a rotação e o movimento das células convectivas resultam na rotação diferencial. O transporte convectivo dependeria da latitude heliocêntrica: seria mais eficiente próximo do equador e pouco importante nas regiões polares; sendo assim, as correntes meridionais geradas pela convecção intensa causariam a aceleração equatorial.


22 - Existem estrelas estáticas?

Todas as estrelas de nossa galáxia, a Via Láctea, estão em movimento de rotação ao redor do centro da Galáxia. Assim, não devem existir estrelas estáticas. O Sol, a estrela em torno da qual o planeta Terra órbita, realiza também este movimento. O Sol também possui um movimento de rotação ao redor de seu eixo mas, diferentemente de planetas sólidos como a Terra, as regiões mais próximas do equador completam seu período mais rapidamente do que aquelas mais próximas dos polos. Avalia-se a velocidade de rotação das regiões Solares pelo deslocamente de suas manchas. Na região de mais intensa ocorrência das manchas, entre 5 e 35 graus de latitude norte e sul, o chamado período sideral (o período verdadeiro) é de cerca de 25.4 dias. A 70 graus de latitude sul e norte, este período é cerca de 4 dias mais longo. No equador, o período é mais curto cerca de 0.4 dias. O período sinódico da região das manchas, isto é, o período daquela região que nós observamos da Terra, é de 27.3 dias.



23 - Coronógrafo
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