| 1 - Gostaria
de ter um resumo das grandes descobertas feitas através de um telescópio. As primeiras observações astrônomicas feitas com ajuda de uma luneta foram realizadas por Galileu Galilei (1564-1642) em 1610, usando uma luneta que ele mesmo construiu, baseado na notícia da invenção de instrumento similar na Holanda. As observações de Galileu fizeram sensação em sua época. Galileu observou pela primeira vez os satélites mais brilhantes de Júpiter (hoje conhecidos como galileanos), identificou estruturas que posteriormente foram compreendidas como os anéis de Saturno, pode observar em detalhe as crateras da Lua, as fases de Vênus e que o céu possuia muito mais estrelas do que aquelas visíveis a olho nu. A repercussão do trabalho observacional de Galileu é, em termos históricos, incalculável. Foi um trabalho intrinsecamente inaugural. Em termos imediatos, a identificação dos satélites de Júpiter e das fases de Venus tornou mais aceitável a idéia de que o Sol poderia ser o centro do sistema ao qual a Terra pertencia, abrindo o caminho para a constituição da física inercial, cuja forma acabada seria dada por Newton, em detrimento da física aristotélica. Esta mesma descoberta observacional dos satélites de Júpiter criou o terreno científico para o chamado princípio copernicano que, mais do que dizer que a Terra gira ao redor do Sol, afirma que ela não é um lugar privilegiado do Universo, pois sequer é o astro mais pujante do próprio sistema do qual é um membro. Além disso, é de significado mais profundo e duradouro, ao estabelecer um instrumento como mediador entre homem e mundo, abriu caminho para o questionamento da relação sujeito-objeto da metafísica tradicional, questionamento que por sua vez constitui o terreno intelectual de toda a filosofia moderna, inaugurada por Descartes, admirador e contemporâneo de Galileu com seus princípios Ergo logo sum (Penso, logo existo) e Omnia dubitantur est (tudo pode ser posto em dúvida). Não é, portanto, exagerado dizer que a revolução intelectual-científica e filosófica dos últimos trezentos anos tem como um de seus fundamentos a invenção da astronomia observacional com instrumentos ópticos por Galileu e das descobertas por ele inauguradas. Outra observação historicamente importante foi a descoberta de Urano por W. Hershel (1738-1822), em 1781, o que acrescentou um novo planeta à família do Sistema Solar, que até então tinha como planetas apenas aqueles conhecidos desde a Antiguidade. A descoberta de outro planeta, Netuno, por Galle em 1846, também teve caráter singular por ser a primeira identificação observacional de um corpo previsto através de cálculo de perturbação. De fato, tal previsão foi feita independentemente pelo matemático e astrônomo frances Urbain J. J. Leverrier (1811-1877) e pelo também astrônomo inglês e professor de Cambridge John Couch Adams (1819-1892) tendo como ponto de partida desvios apresentados por Urano em seu movimento ao redor do Sol. A confirmação da previsão se constituiu também numa não mais necessária à época - mas definitiva - prova de que o Sol é o centro do sistema ao qual a Terra pertence. No ano de 1814, o físico alemão Joseph von Fraunhofer (1787-1826) construiu o seguinte dispositivo: Os raios Solares recolhidos por uma luneta incidiam paralelamente sobre um prisma. Outra luneta recolhia os feixes refratados e os focalizava numa tela. Desta forma ele pode identificar as primeiras 547 linhas escuras do espectro do Sol. Com alguns experimentos, R. W. Bunsen (1811-1899) e R. Kirchhoff (1824-1887) apresentaram, em 1859, a interpretação correta para este fenômeno, associando estas linhas escuras à presença de elementos químicos identificáveis na atmosfera do Sol. Cada linha era, assim, uma "assinatura" de um elemento químico, podendo cada elemento apresentar várias destas "assinaturas". Com isto, estava vencido um dos maiores desafios ao conhecimento humano, a possibilidade de saber a constituição química de objetos que estavam a distâncias inimagináveis. Uma figura muito considerada nos círculos intelectuais do século passado, o francês Auguste Comte (1798-1857), fundador do positivismo, havia enunciado a impossibilidade absoluta da obtenção deste conhecimento. Um outro conjunto de observações, em nosso século, revolucionaram completamente a imagem que o homem possuía até então do Universo que habita e observa. Esse conjunto de observações teve início na segunda década desse século pois foi somente 1923 que foram reunidas suficientes evidências observacionais para afirmar a existência de sistemas estelares que não a nossa própria galáxia, ou seja a existência de outras galáxias no Universo. Quase imediatamente a seguir, o astrônomo Edwin Powell Hubble (1889-1953) em 1927 reuniu elementos suficientes concluir a existência de uma razão de proporcionalidade entre a distância das galáxias à nossa galáxia e a velocidade com que elas se distanciavam da nossa. Na década de 20 deste século, portanto, o Universo passou então não só a estar povoado de galáxias, mas também passou a estar em expansão, o que levou a elaboração da idéia de um momento inicial finito e portanto de uma idade mensurável para sua existência. Daí nasce a idéia de Big-Bang, que terá como sustentáculo maior a descoberta (agora não mais com telescópio, mas como uso de antenas), em 1965, de uma radiação cósmica no fundo do céu, cuja única explicação consistente é dada pela teoria do Big- Bang ao se constituir numa relíquia dos instantes iniciais da história do Universo. O telescópio espacial Hubble, ao proporcionar observações sem a barreira da atmosfera terrestre inaugurou uma nova era em termos de resolução de imagem, ampliando a capacidade de observação humana em termos equivalentes à passagem da observação com vista desarmada ao uso do telescópio. Entretanto, com o uso de novas tecnologias que planejam cancelar o efeito atmosférico, telescópios com poder de resolução equivalente a do Hubble estão sendo planejados e construídos para funcionarem na superfície terrestre. Mais recentemente, Michel Mayor e Didier Queloz, astrônomos suíços, reuniram, em trabalho publicado no ano de 1994, evidências observacionais da existência de um planeta fora do Sistema Solar, que, se confirmada, seria o primeiro planeta extra-Solar identificado em torno de uma estrela normal. Embora este caso em particular desperte atualmente controvérsias, a técnica utilizada levou a identificação de outros planetas extra-Solares. Por fim, é justo mencionar também o trabalho do astrônomo brasileiro Gustavo Frederico Porto de Mello, professor de Astronomia do Observatório do Valongo, da UFRJ, que, como um dos resultados de sua pesquisa para obtenção do grau de doutor no Observatório Nacional, sob a orientação de Licio da Silva, identificou uma estrela que é a mais perfeita gêmea Solar, isto é, uma estrela, a 18 do Escorpião com massa, idade, composição química e outros parâmetros astrofísicos muito similares ao nosso Sol (maiores detalhes sobre esta descoberta podem ser obtidos no endereço (http://obsn.on.br/portuguese/gemea/artigo.html). Assim, a astronomia foi não só uma das responsáveis pelo deslanchar da revolução intelectual dos últimos três séculos, mas suas descobertas continuam a alimentar de novidades inimagináveis aos cientistas deste final de milênio. Tudo isto começou com uma luneta na mão e muita curiosidade frente ao mundo no espírito.
2 - Gostaríamos de saber qual a origem dos nomes dos planetas Muitos povos da Antiguidade, como os babilônicos e posteriormente os gregos, observaram que alguns dos objetos celestes apresentavam um movimento diferente das demais estrelas do céu. Enquanto as estrelas se movimentavam de maneira inteiramente uniforme e conjunta, na mesma direção e com a mesma velocidade, de maneira que suas configurações permaciam inalteradas, possibilitando a identificação de conjuntos permanentes, as constelações, outros astros moviam-se através destas constelações com velocidades diferentes, mudando constantemente as suas posições relativas. Esses astros foram chamados "planetas", que significa astro errante, em grego. Os gregos atribuíram nomes próprios aos planetas visíveis a olho nu, utilizando para isso os nomes dos deuses do Olimpo. Anos mais tarde, quando diversos aspectos da cultura grega foram incorporados por Roma, os nomes latinos correspondentes aos nomes dos deuses gregos foram adotados e se mantêm até hoje.
3 - Por qual motivo o nosso planeta chama-se Terra? O nome Terra para o lugar que habitamos é muito anterior à constatação de que tal lugar vem a ser, na realidade, o que hoje designamos por planeta. Ou seja, demos um nome ao lugar que vivemos antes de compreender "o que é" esse lugar; somente depois da invenção do telescópio (veja pergunta "grandes descobertas com telescópio" nesta seção) foi que a Terra passou a ser vista como um planeta em órbita ao redor do Sol. A própria idéia do que eram os planetas também mudou: o homem deixou de vê-los como "astros errantes" e passou a vê-los como corpos em orbitas de estrelas. Uma dos mitos mais antigos do mundo ocidental narrava que "Terra" era uma das quatro divindades originárias, nascida após "Kaos" e antes de "Tártaro" e "Eros". A forma escrita deste mito foi elaborada pelo grego Hesíodo no canto "Teogonia". A divindade Terra está ali associada ao lugar em que vivemos e aquilo sobre o qual nos existimos de forma segura: solo, chão, fundamento. Este significado duplo de habitação e sustentáculo é a idéia que está na origem do nome. A medida em que a compreensão da civilização ocidental sobre o lugar que habitava e tudo que a cercava foi progredindo e deixando de estar associada a uma visão mítica, a concepção sobre o que vinha a ser a Terra foi sendo re-elaborada, até chegar na concepção que partilhamos hoje, mas o nome permaneceu o mesmo do das concepções mais antigas e/ou originárias por força do hábito. O que mudou no decorrer do tempo foi apenas a concepção associada ao nome. No Universo da Física Aristotélica, por exemplo, Terra já designava ao mesmo tempo o elemento terra, do qual a Terra era formada (por este elemento ocupar um lugar físico naturalmente abaixo de todos os demais - água, ar e fogo) e o lugar que habitamos. E a Física Aristotélica foi o modelo que perdurou até a época da invenção do telescópio. 4 - Qual a origem dos termos Equador, Bissexto e Trópico? Equador: vem do latim aequator, que significa divisor em duas partes iguais. Bissexto: a origem do nome pode ser explicada da seguinte forma: O dia representativo do início de cada mês no calendário romano era chamado calendas. Era costume inserir-se o dia intercalado após o dia 24 de fevereiro, ou seja, 6 dias antes do início das calendas de março; assim, esse dia era contado duas vezes, daí ficando conhecido como bis sexto anti calendas martii, ou segundo sexto antes das calendas de março. Depois disso, o ano passou a ser acrescido de um dia passou a chamar-se bissexto. Trópico: vem do grego tropein, que significa inverter. Indica que o Sol, após o desvio máximo para o Norte ou para o Sul (no Solstício), inverte o seu movimento aparente, voltando-se novamente para o equador (até o Equinócio). 5 - O que existe de verdade na relação das Pirâmides do Egito(comprimento, altura, base) com as distâncias entre nosso planeta e o Sol, a Lua, circunferências, etc... Antes de mais nada cabe um esclarecimento: existe um ramo bicéfalo entre Antropologia/Arqueologia e Astronomia chamado "Arqueo-Astronomia". Curiosamente, a Arqueo-Astronomia é mais relevante para o estudo de povos sem escrita, ou com escrita ainda por decifrar, mas que tenham registros gráficos. Este não é o caso dos egípcios, cujas diferentes escritas foram decodificadas. Há dois fatos marcantes na civilização egípcia: sua continuidade e longevidade e a possibilidade de extrema centralização de administração que sua cultura e geografia permitiram. As pirâmides (e elas são muitas: sem contar as secundárias, erguidas ao lado das principais e sempre de dimensões muito inferiores, elas somam cerca de meia centena) foram construídas nos períodos históricos denominados impérios antigo e médio (veja quadro abaixo). Estão construídas em pelo menos 15 sítios distintos ao longo do Nilo. Gizé, o mais famoso por conter as duas mais altas (Queops e Quefren), não é sequer o possuidor do maior número delas.
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